Usar o nome da outra pessoa no meio da conversa pode parecer artificial. Forçado. Quase uma técnica ensaiada demais para soar natural. Na prática, no entanto, um detalhe tão simples pode mudar completamente a dinâmica de uma interação.
A ciência ajuda a explicar por quê. Estudos em neurociência mostram que ouvir o próprio nome ativa áreas do cérebro ligadas à atenção, à identidade e à memória. Em termos práticos, é como se o cérebro recebesse um pequeno alerta: “isso é importante para você”. Mesmo quando a atenção começa a dispersar, o nome funciona como um gatilho que traz a pessoa de volta para o momento presente.
Não é só atenção. Pesquisas indicam que ouvir o próprio nome também ativa regiões cerebrais associadas à identidade e à percepção de si. Isso aumenta o engajamento emocional com a conversa e torna a mensagem mais memorável.
Claro, existe o outro lado. Errar o nome, pronunciá-lo mal ou exagerar no uso pode causar exatamente o efeito oposto. Estudos mostram que a má pronúncia pode gerar sensação de exclusão ou desconforto. E quando o nome é usado de forma excessiva ou artificial, o que deveria soar como proximidade passa a parecer manipulação.
O contexto também importa. Um nome dito com cobrança, ironia ou repreensão não cria conexão alguma. O impacto positivo surge quando o uso é natural, respeitoso e coerente com a situação.
Existe uma forma simples de treinar esse hábito sem parecer ensaiado: usar o nome das pessoas em agradecimentos e elogios. Um “obrigado” acompanhado do nome soa mais humano. Mais pessoal. Mostra reconhecimento real, não automático.
Dizer “obrigado, Paula” ao motorista, “valeu, Gabriel” a quem resolveu um problema ou “agradeço muito, Marcos” a quem fez um bom trabalho transforma um gesto comum em algo mais significativo. Não é técnica de persuasão. É atenção.
No fim, usar o nome de alguém não é sobre estratégia de comunicação. É sobre presença. É mostrar, ainda que de forma sutil, que aquela pessoa foi vista, ouvida e reconhecida. E fazer alguém se sentir um pouco mais apreciado, mesmo que por alguns segundos, quase sempre vale a pena.