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A crise emocional nas organizações não se resolve na superfície

A saúde emocional das lideranças se tornou um dos temas mais críticos do mundo do trabalho. Burnout, ansiedade, conflitos interpessoais e a perda de sentido passaram a impactar diretamente a qualidade das decisões

A saúde emocional das lideranças se tornou um dos temas mais críticos do mundo do trabalho. Burnout, ansiedade, conflitos interpessoais e a perda de sentido passaram a impactar diretamente a qualidade das decisões, o engajamento das equipes e a sustentabilidade das culturas organizacionais. Nunca se falou tanto sobre emoções no ambiente corporativo e, ainda assim, a sensação é de que seguimos lidando mais com efeitos visíveis do que com as causas profundas desse adoecimento coletivo.

Conceitos como inteligência emocional, atenção plena e autorregulação emocional ganharam espaço em treinamentos, palestras e programas de desenvolvimento. Isso, por si só, é um avanço importante. O problema começa quando essas abordagens permanecem na superfície, tratadas como técnicas isoladas, desconectadas de uma compreensão mais profunda sobre como a mente humana realmente funciona, como as emoções se formam e de que maneira influenciam nossas escolhas, relações e decisões sob pressão.

É a partir dessa inquietação que inicio, em fevereiro, uma nova jornada de estudos nos Himalaias, região que concentra a origem de muitas das práticas contemplativas que sustentam modelos contemporâneos de gestão emocional, presença e autoliderança. Não se trata de uma viagem espiritual ou de um retiro desconectado da realidade do trabalho, mas de um aprofundamento intencional na base do conhecimento sobre a mente humana, com o objetivo de traduzir esse entendimento para a prática da liderança e da vida organizacional.

Ao longo de mais de três décadas no mundo corporativo e de mais de quinze anos dedicados ao estudo da consciência, tornou-se evidente para mim que vivemos um paradoxo. Falamos cada vez mais sobre emoções, mas raramente nos dispomos a compreendê-las em profundidade. Tentamos gerenciar sintomas como estresse, reatividade e exaustão sem olhar para os mecanismos internos que os produzem. Sem esse entendimento, qualquer intervenção tende a ser paliativa.

Muitas das práticas hoje amplamente utilizadas nas empresas, como atenção plena, escuta profunda e regulação emocional, têm raízes em tradições contemplativas desenvolvidas ao longo de séculos. O desafio não está em torná-las acessíveis, mas fazer com que não sejam esvazidas de sentido ao desconectá-las de suas bases. Quando isso ocorre, perdem consistência, profundidade e impacto real no cotidiano das lideranças e das equipes.

Durante essa jornada de estudos, pretendo refletir sobre temas centrais para quem lidera em contextos complexos e ambíguos, como maturidade emocional, presença sob pressão, qualidade da escuta, tomada de decisão em cenários de incerteza e construção de sentido no trabalho. Essas reflexões não pertencem a um campo abstrato. Elas dizem respeito à capacidade concreta de sustentar clareza interna em ambientes instáveis e de criar condições para que as pessoas consigam pensar, colaborar e decidir com mais consciência.

As organizações enfrentam desafios que não se resolvem apenas com novos processos, ferramentas ou tecnologias. Exigem lideranças capazes de reconhecer seus próprios estados internos, regular emoções difíceis e influenciar o ambiente a partir dessa estabilidade. Saúde emocional deixou de ser um tema periférico ou individual e passou a ser uma variável estratégica para a sustentabilidade dos negócios.

Ao retomar estudos na raiz do conhecimento sobre a mente humana, pretendo contribuir para um debate mais maduro, menos superficial e mais responsável sobre liderança e saúde emocional no trabalho.

*Daniel Spinelli é especialista em liderança, palestrante, mentor e autor do livro best-seller A potência da liderança consciente. – E-mail: [email protected].

Sobre Daniel Spinelli

Daniel Spinelli é empreendedor, palestrante e autor best-seller brasileiro, reconhecido como uma das principais referências em liderança consciente e cultura organizacional. Com mais de 30 anos de experiência à frente de equipes e projetos corporativos, é fundador de empresas voltadas à formação de líderes e criador da metodologia das Quatro Dimensões da Liderança Consciente, adotada por grandes organizações no Brasil e no exterior. Sua atuação integra gestão, autoconhecimento e impacto social, contribuindo para transformar o modo como líderes conduzem pessoas e negócios. Para saber mais, acesse: danielspinelli.com.br.